27.março.20h00
Taberna do Quinzena – Vestis Hotel Santarém
“A salvaguarda do Património Cultural (Arqueológico) e a necessidade de
um compromisso social com a memória comum”
O Departamento de Atividades de Ar Livre e Lazer do Círculo Cultural Scalabitano realiza no próximo dia 27 de MARÇO pelas 20h00 no Quinzena Santarém Hotel uma Tertúlia Literária tendo como convidado o Dr. António Matias, Arqueólogo e Bioantropólogo, que dissertará sobre “A salvaguarda do Património Cultural (Arqueológico) e a necessidade de um compromisso social com a memória comum”.
A sociedade reconhece, em teoria, a importância do património arqueológico e afirma valorizar a sua preservação. No entanto, quando a responsabilidade direta recai sobre cada cidadão, como previsto na Lei de Bases do Património Cultural e no regime jurídico de proteção do património arqueológico, a atitude muda com frequência. Obrigações legais são muitas vezes vistas como incómodos.
Esta discrepância entre discurso e prática revela que a salvaguarda do património continua dependente mais da lei do que de uma verdadeira consciência coletiva.
Esta tensão recorrente na gestão do património arqueológico em Portugal, mostra que existe um discurso público que valoriza a proteção e a memória histórica, mas na prática essa valorização nem sempre se traduz em comportamentos consistentes. Quando a
salvaguarda depende sobretudo da lei, significa que a proteção é muitas vezes reativa e imposta, e não resultado de uma consciência coletiva enraizada. Uma verdadeira cultura de preservação implica uma participação cívica, educação patrimonial e responsabilidade partilhada entre cidadãos, instituições e decisores. Enquanto persistir esta discrepância, o património continuará vulnerável, pois a legislação, por si só, dificilmente substitui o compromisso social com a memória comum.
BIOGRAFIA
Natural da Figueira da Foz, António Matias exerce funções de Arqueólogo e Bioantropólogo no Município de Santarém desde 1999, desenvolvendo aí a sua atividade científica e de contínua salvaguarda do Património Arqueológico municipal.
No domínio da investigação, publicou diversos títulos em publicações periódicas nacionais e internacionais e desenvolve projetos na área da Arqueologia Medieval, Arqueologia Funerária, Arqueotanatologia, Paleoparasitologia e Antropologia Biológica sobre a presença humana no território de Santarém.
Foi dirigente da Direção-Geral do Património Cultural e do Património Cultural I.P., articulando a gestão nacional do Património Arqueológico e das Arqueociências, através das competências dos diferentes serviços adstritos a esse organismo, designadamente,
da DPAA (Divisão do Património Arqueológico e das Arqueociências), do CNANS (Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática), do LARC (Laboratório das Arqueociências) e da UCAIA (Unidade de Coordenação de Avaliação de Impacte Ambiental).
Paralelamente a esta atividade profissional, acumula uma vertente musical que iniciou em 1983 com o seu avô, Saúl Alves da Cunha. Após o ingresso nas fileiras da Banda Filarmónica de Santana (Figueira da Foz) e, “a posteriori”, no Conservatório de Música
David de Sousa na classe de trompete, trilhou um caminho formativo por diferentes instituições de ensino, que o levaram a ser bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e a ser agraciado com vários prémios artísticos.A experiência musical adquirida ao longo dos anos leva-o a apaixonar-se pela direção e, numa perspetiva de enriquecimento pessoal e profissional, frequenta cursos e masterclass de direção de orquestra, bandas civis e de coros com diferentes maestros de reconhecido nome. Ao longo da sua carreira artística fundou e dirigiu diversos conjuntos orquestrais e corais, colaborando artisticamente com diferentes instituições nacionais na organização de eventos culturais. Atualmente, tem a seu cargo a direção artística do Coro do Círculo Cultural Scalabitano. A sua paixão pela música exprime-se de igual modo através da composição de arranjos e trabalhos originais para orquestra de Jazz, Coros, Orquestra e Banda Sinfónica, tendo em dezembro de 2020 estreado, na Sé de Santarém, uma das suas mais recentes composições, “Requiem a Bernardo
Santareno”, uma obra com 8 andamentos, escrita para Coro Misto, Orquestra, Piano e Percussão. A sua estreia, foi um marco importante na história do Coro do Círculo Cultural Scalabitano e, seguramente, na história da cultura scalabitana. Em 2024, a convite da
Fundação INATEL, dirigiu artisticamente o Projeto “Ópera Para Todos”, com arranjos e orquestrações de obras operáticas para Grande Coro, Orquestra e Solistas, atinentes aos mais importantes compositores mundiais do género.
No plano desportivo, é atleta federado e medalhado em Judo e Ju-Jitsu, treinador de grau 1 (IPDJ) de Ju-Jitsu e árbitro internacional desta última modalidade.
