Dilma Melo – Notas de um cantar

Homenagem do Círculo Cultural Scalabitano – 11 de Março

“…ao cantar sorrias e surgia a Primavera
nas palmas que recebias”
José Luís Nazareth Barbosa

Deixou-nos a todos mais tristes, na manhã de dia 11 de Março, deixou-nos no entanto, as notas alegres da sua voz, para sempre!

Dilma Melo foi daquelas mulheres cuja vida podia ter sido o palco e a fama, mas quis ser discreta e não precisou do palco para afirmar as suas qualidades. Podia ter sido vedeta nacional da rádio ou da televisão, tal era a qualidade da sua voz, convidada que foi para integrar o rol das melhores vozes da música ligeira portuguesa que se vinham afirmando na rádio e televisão, naquele final da década de Cinquenta, mas optou por uma vida reservada, ao lado de José Luís Nazareth Barbosa.
No entanto, a sua vida não deixou de marcar a sua época. Integrou a Orquestra Típica, ainda muito jovem, como vocalista, ainda esta era dirigida pelo maestro Casimiro Silva (1955-1957), cantando letras de José Luís Nazareth Barbosa musicadas por este maestro. Em Junho de 1955, apresentava-se com a Orquestra Típica, no primeiro Sarau do recém-criado Círculo Cultural Scalabitano (1954), apresentado no palco da segunda Feira do Ribatejo (1955). Logo em Outubro de 1956, foi considerada pela revista “Festa”, sob a direcção de Gentil Marques, “a grande revelação dos Ídolos”:

“Dilma Melo, eleita como a intérprete de folclore preferida pelos nossos leitores, no Inquérito dos Ídolos, é sem dúvida a grande revelação do ano, pois bateu por larga margem de votos artistas consagradas como Júlia Barroso, Mirita Casimiro, Maria Clara e outras“.

Dilma Melo brindou o país com a sua voz, durante mais de quarenta anos, em que acompanhou a Orquestra Típica Scalabitana, nos saraus do Círculo na Feira do Ribatejo, nos Serões para Trabalhadores da F.N.A.T., nos concertos que apresentaram na rádio e na televisão, nos concertos por todo o país e no estrangeiro, nos muitos lugares por onde passou a Orquestra Típica até hoje. Deixou-nos a todos mais tristes, na manhã de dia 11 de Março, deixou-nos no entanto, as notas alegres da sua voz, para sempre!
[Luísa Barbosa]

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