27 abril | 15h00 | Convento de S.Francisco

O Coro do CCS irá estar presente no lançamento do livro “Memórias” em homenagem a Padre Francisco Nuno.
Para além do Coro do CCS participará também nesta homenagem a Banda da Música da Mata.

Evento integrado nas Comemorações do 45º aniversário do 25 de Abril em Santarém, co-organizado pela Câmara Municipal de Santarém e pelas Comemorações do 25 de Abril – Associação Cultural e conta com a parceria da Associação Aqui Há Gato, Associação FITIJ, Associação José Afonso, Centro Cultural Regional de Santarém, Cineclube de Santarém e Círculo Cultural Scalabitano.

Francisco Nuno Oliveira Rodrigues, natural da Mata, freguesia da Chancelaria, concelho de Torres Novas, nasce a 14 de março de 1934.
Ingressa no Seminário de Santarém aos 11 anos e continua a sua formação sacerdotal nos Seminários de Almada e Olivais, sendo ordenado sacerdote a 15 de agosto de 1957.
A 1 de setembro celebra a Missa Nova, na sua aldeia natal.
Nesse mês é nomeado para professor e prefeito no Seminário de Santarém, onde inicia funções a 1 de outubro; aqui desenvolve com os jovens seminaristas vários desafios na área da música, teatro e desporto. Com uma vertente artística muito marcada pinta algumas obras que expõe, de forma individual e coletiva na cidade. Excelente caricaturista e tem grande espólio na área do desenho.
Torna-se sócio do Cine Clube de Santarém, criando uma forte amizade com o seu presidente Manuel Alves Castela; participa em vários serões musicais e tertúlias com os intelectuais da cidade.
Em setembro de 1963 é nomeado professor de Religião e Moral do Liceu Nacional de Santarém, ficando também com a responsabilidade dos Colégios Andaluz e Sª. Margarida, a Mocidade Portuguesa, a JEC (juventude escolar católica) do liceu.
Preocupado com a Juventude dinamiza, com os jovens estudantes das escolas da cidade, o NATAL DO ESTUDANTE, que na época foi uma autêntica revolução; no primeiro ano o espectáculo é apresentado no Ginásio do Seminário e posteriormente no pavilhão da FNAT, no campo da Feira do Ribatejo e por fim no Teatro Rosa Damasceno.
Os espetáculos são sempre um verdadeiro sucesso, trazendo para os mesmos, artistas conhecidos na época e apresentadores como Fernando Correia e A Orquestra da então Emissora Nacional.
Cria e dinamiza o SCOJ (Secretariado Cristão dos Organismos Juvenis), um andar que aluga e que serve de apoio aos jovens que ali podem estudar, conviver e mais tarde se torna Lar para Estudantes. Rapidamente cria um pequeno jornal para divulgar o que se faz na casa a que chama também SCOJ; este serve de comunicação para a juventude da cidade e para os que já seguiram para as Universidades e para a guerra colonial.
Organiza na casa debates onde são abordados temas tabu para a época, nomeadamente Educação Sexual. O jornal está aberto a todos os que quiserem colaborar, sendo um meio onde os jovens expressam, não só a sua criatividade como expõem as suas dúvida e Padre Nuno está sempre disponível para os ouvir e aconselhar. Organiza diversas excursões a Lisboa, para assistir a peças de teatro, ópera e exposições que posteriormente servem para tema de debates nas aulas de Religião e Moral.
É Vice-Presidente da Associação Académica de Santarém; organiza torneios de futebol entre escolas da cidade assim como entre professores do liceu e do seminário.
Para além das excursões a Lisboa, organiza também excursões a Espanha em 1964 e 69, a Torre de Molinos, Sevilha e Madrid.
Participa em reuniões da Oposição em 1969.
Perseguido pela PIDE é expulso do Liceu, no fim do 2º período, sendo então encerrado o SCOJ (jornal e casa/Lar de estudantes).
De 1970 a 1974 é colocado, por pequenos períodos, no STELLA MARIS (Organização da Igreja Católica para apoio aos tripulantes dos navios mercantes e pescadores), Paróquia da Ajuda em Lisboa e Externato Diocesano Frei Luís de Sousa em Almada.
Em 1975 pede a redução ao estado laical e casa com uma sua ex-aluna do liceu de Santarém, numa cerimónia religiosa.
De 1975 a 1982 vive e trabalha em Torres Novas onde é professor na atual Escola Maria Lamas; em abril de 1976 funda um jornal A FORJA do qual é diretor até setembro de 1982.
Em setembro de 1982, por razões de ordem familiar, ruma a Setúbal, sendo colocado como professor de Português e Latim na actual Escola Sebastião da Gama.
Membro ativo do MDP (Movimento Democrático Português) tem uma intensa atividade política, sendo membro da sua Comissão Nacional.
A sua atividade cultural não se resume às diversas atividades que desenvolve com os alunos, como o Festival de teatro com as escolas da cidade, a Semana da Cultura e Língua Portuguesa, o 30º Aniversário do edifício da Escola Sebastião da Gama, O Centenário do Ensino Industrial em Setúbal.
Dinamiza e participa como ilustrador de livros de poesia de poetas setubalenses.
No verão de 1989 adoece. O diagnóstico é Leucemia Aguda. Tenta-se o transplante de medula em Londres o que, infelizmente, não acontece e vem a falecer em Inglaterra a 10 de novembro de 1989.
O velório é feito no ginásio da Escola.
Várias têm sido as homenagens realizadas por ex-alunos, amigos e colegas de diferentes locais por onde passou, nomeadamente Mata, Setúbal e Santarém.
A homenagem, este ano, será o lançamento de um livro sobre o seu percurso de vida, com testemunhos de antigos alunos, colegas e amigos dos diversos locais por onde passou.