Fundação

O Círculo Cultural Scalabitano foi fundado em Julho de 1954 a partir da fusão de duas associações: o Clube Literário Guilherme de Azevedo e o Orfeão Scalabitano, a sua sede localiza-se na Rua Maestro Luís da Silveira, num espaço onde se instalou, em 1895, o Teatro Taborda, o que lhe garante uma actividade centenária.
O objectivo principal visou a criação de uma forte unidade associativa que permitisse desenvolver actividades como o Teatro, o Orfeão, a Orquestra Típica, entre outras, que formaram as diferentes secções.
A sua actividade mereceu as distinções de Ordem de Benemerência (1932), Oficialato de Instrução Pública (1957) e Medalha de Ouro da Cidade de Santarém (1957).

O Grémio Literário Guilherme de Azevedo, cuja fundação data do início do século XX, em 1938 viu-se obrigado a alterar o seu nome e passou a denominar-se Clube Literário Guilherme de Azevedo. Este encontrava-se sedeado no Teatro Taborda, nome atribuído como homenagem ao grande actor Taborda, quando um grupo de boas vontades se reuniu para criar este espaço cultural. O Clube Literário era uma agremiação preocupada com a instrução e recreio. Assim, possuía uma Biblioteca, à qual se atribuiu o nome de Guilherme de Azevedo e desenvolveu diversas actividades como teatro, recitais de música e de poesia, conferências e ensino infantil de música, ao mesmo tempo tinha salas onde se desenrolavam jogos recreativos, como cartas e bilhar. Durante todo o ano havia, também, motivos para se organizarem bailes, sempre concorridos.

O Coral Infantil Scalabitano foi uma das secções do Clube Literário Guilherme de Azevedo com maior actividade e sucesso e integrou o Círculo Cultural Scalabitano em 1954. Criado por iniciativa desse Clube teve o impulso e a dedicação do maestro Luís Silveira, coadjuvado por sua esposa Ema Silveira, Luís Fernandes, nas aulas de Solfejo, Judite David, nas aulas de piano e D. José Zarco da Câmara, nas aulas de violoncelo. Estas aulas ajudaram a formar gerações de jovens, sem distinção de classes, pois eram aulas gratuitas certificadas, dando acesso ao Conservatório Nacional. Durante alguns anos o Coral Infantil apresentou uma Orquestra Infantil composta de piano, violinos e violoncelos, dirigida pelo maestro. Destaque-se, em 1949, a representação da opereta infantil "A Princesa Perolina" que tanto êxito obteve em representações no Teatro Rosa Damasceno.

O Orfeão Scalabitano, fundado em 1925, teve uma interrupção de actividades entre 1932 e 1942, embora com direcção autónoma de Grémio Literário, utilizou as instalações deste até 1946, data em que saiu para o Ginásio do Seminário, cedido pelo reitor do Seminário patriarcal. Voltou ao lugar inicial quando se efectivou a fusão dos dois organismos.

Esta associação estava organizada em secções e, na década de Quarenta, era constituída por um grupo coral misto, que chegou a reunir 150 vozes, no seu período áureo, uma Orquestra de Salão, ou de Câmara, que pelo seu número de executantes (60 elementos), passou mais tarde a Orquestra Sinfónica e, ainda, um grupo cénico denominado, em 1950, por Iniciação Teatral Actor Taborda. Este último, mercê da criação da Academia de Música e de Teatro em 1950, beneficiou de um Curso de Arte de Dizer e Representar, ministrado pelo professor do Conservatório Nacional, Carlos de Sousa, entre 1950 e 1958, possibilitando a formação de uma importante geração de impulsionadores do teatro e das artes, em Santarém.

 

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